Você precisa odiar.

E quando digo ódio, não falo de rancor desordenado, nem de fúria cega.
Falo de uma aversão santa.
Uma repulsa extrema, consciente, que não admite pactos com aquilo que destrói almas.

Um ódio que nasce do amor.

O sol parece se pôr sobre o Ocidente. Vivemos os estertores de uma sociedade que já não sabe distinguir o bem do mal, o belo do grotesco, o sagrado do profano.

Certa vez, o Venerável Arcebispo Fulton J. Sheen escreveu:

“A cristandade está morta. Não o cristianismo, não a Igreja, mas a cristandade — a vida econômica, política e social inspirada por princípios cristãos. Isso está acabando — nós vimos isso morrer.”

E é preciso coragem para admitir:
nós participamos desse funeral.

Não foram apenas inimigos declarados.
Não foram apenas ideologias anticristãs.

Foi a nossa inação.
A nossa tibieza.
A nossa covardia disfarçada de tolerância.

Nós matamos a cristandade quando deixamos de odiar o mal.

Por meio da apatia, acostumamo-nos ao escárnio.
Rimos do que deveria nos causar dor.
Assistimos, calados, enquanto o tecido espiritual da nossa nação apodrecia.

A podridão tornou-se cultura.
A blasfêmia virou entretenimento.
A imoralidade virou celebração.

E, em tempos como o carnaval — quando o mundo exalta a carne, a embriaguez e a luxúria, transformando “alegorias” em ataque a Cristo, ataque às famílias e aos valores, e o pecado em espetáculo público —, vemos com clareza o que acontece quando uma sociedade perde o temor de Deus.

A história já nos mostrou esse caminho inúmeras vezes.

Assim como nas demoníacas Revoluções Francesa e Bolchevique, estamos à beira de um desastre, derramamento de sangue e caos que durará cem anos.

Quando uma civilização rompe com Deus, ela não caminha para a liberdade — caminha para a violência, para a ruptura social, para décadas de sofrimento.

Não porque Deus abandona o homem,
mas porque o homem insiste em governar-se sem Deus.

Aleksandr Solzhenitsyn escreveu, ao refletir sobre a tragédia russa:
“Os homens se esqueceram de Deus; é por isso que tudo isso aconteceu.”

E talvez o mesmo possa ser dito de nós.

Não se trata de odiar pessoas.
Cristo morreu por elas.

Trata-se de odiar aquilo que as escraviza.

O rei Davi escreveu nos Salmos:
“Vós que amais o Senhor, odiai o mal.”

Seu filho, o rei Salomão afirmou:
“O temor do Senhor é odiar o mal.”

O verdadeiro amor a Deus exige repulsa ao que O ofende.

Cristão, enquanto sua cultura se dissolve,
enquanto o sagrado é ridicularizado,
enquanto a desordem é celebrada como liberdade —

você permanecerá neutro?

Você tolerará a sujeira moral que inunda nossas ruas e nossas telas?
Você se deixará subjugar pela concupiscência da carne, pela concupiscência dos olhos e pela soberba da vida?

O ódio santo não destrói; ele purifica.
Ele não ataca homens; combate o pecado.
Ele não nasce do orgulho; nasce do temor de Deus.

Se não odiarmos o mal, acabaremos amando-o.
E quem ama o mal, ainda que em silêncio, torna-se cúmplice dele.

 

Você, cristão, continuará nessa mansidão diabólica ou começará a odiar?