Na noite de Sua traição, o Senhor deu um aviso solene aos discípulos.
“Quando vos enviei sem bolsa, sem alforje e sem sandálias, faltou-vos alguma coisa?”
“Nada”, responderam eles.
Então Jesus declarou: “Pois agora, quem tem bolsa, tome-a; quem tem alforje, leve-o; e quem não tem espada, venda seu manto e compre uma.”
Todos dizem desejar o martírio, até que a Palavra deixa de ser romantizada e se torna carne viva sendo arrancada do corpo, esfregada com sal, enquanto se espera mais tortura. O cristianismo moderno, domesticado pela prosperidade e enfraquecido por doutrinas adocicadas, convenceu multidões de que Deus prefere pacifistas dóceis a guerreiros humildes.
Mas vivemos exatamente no tempo do “pois agora” que Cristo anunciou.
Quando pergunto se preferem lutar ou aceitar o martírio, muitos respondem com uma falsa piedade. Porém basta perguntar se aceitariam ver os próprios filhos queimados na fogueira para manter essa postura, e o semblante muda na hora.
Porque, no fim das contas, é isso que estão fazendo: condenando seus filhos a trevas futuras por causa de uma covardia travestida de virtude.
Com o nosso medo, entregamos a herança cristã ao próprio Satanás.
Mas não precisa ser assim.
Somos descendentes de homens como Godofredo de Bulhão que, em combate, ergueu sua espada e a enterrou no flanco esquerdo de seu inimigo com tal força que a lâmina atravessou a espinha, rompeu os órgãos e saiu ensanguentada acima da perna direita. O corpo dividiu-se em dois: uma parte caiu na água, a outra tombou ainda sobre o cavalo.
Esse mesmo Godofredo, tendo libertado Jerusalém, recusou-se a usar coroa de ouro onde Cristo usou espinhos, e não aceitou o título de rei, chamando-se apenas Príncipe de Jerusalém. Sob seu governo, a cidade teve paz por dois séculos.
Paz. Por duzentos anos.
E quem mais poderia realizar tal feito senão um guerreiro justo disposto a derramar seu sangue por uma Santa Cruzada?
Descendemos também de homens como Neemias, que ordenou aos seus que trabalhassem com uma mão e segurassem a espada com a outra. Movidos por zelo santo, reconstruíram os muros de Jerusalém em inacreditáveis cinquenta e dois dias, algo impossível para quem não entende que o combate é parte da obra de Deus.
Somos herdeiros dos conquistadores que, ao chegarem às terras astecas, derrubaram ídolos demoníacos e ergueram cruzes no alto dos templos.
E na noite em que o império asteca caiu, testemunhas viram algo tão extraordinário que seria considerado ficção, não fossem tantas vozes concordarem:
“Ao cair da noite, começou a chover… De repente, o presságio apareceu, flamejando como uma grande fogueira no céu. Girava em espirais, lançava faíscas como brasas ardentes… Fazia ruídos altos, como metal incandescente. Pairou sobre Coyonacazco e depois moveu-se ao centro do lago, onde desapareceu. Ninguém gritou: todos sabiam o que aquilo significava.”
Essa frase ecoa como um trovão:
“As pessoas sabiam o que significava.”
E você cristão, sabe o que isso significa?
Irmãos em Cristo, chegou a hora de a Cristandade mostrar os dentes.
A vitória não vem por sentimentalismo, nem por covardia piedosa, mas pelo poder do sangue derramado do nosso Senhor Jesus Cristo e pela fria lâmina de aço cristã empunhada por mãos justas.
A única pergunta que permanece é:
Você irá empunhá-la?
